A DEPORTAÇÃO: INCURSÃO AO PENSAMENTO DE DANIEL

E o Senhor lhe entregou nas mãos a Jeoiaquim, rei de Judá, e uma parte dos vasos da casa de Deus; e ele os levou para a terra de Sinar, para a casa do seu deus; e os pôs na casa do tesouro do seu deus. (Daniel 1:2)
É em primeiro lugar, sem dúvida, o acontecimento da usurpação da parte de Babilónia que é denunciado! O povo de Deus e o s utensílios sagrados do templo tornaram-se propriedade de Nabucodonosor.
Para alcançar toda a dimensão e até a importância deste episódio, torna-se necessário situá-lo no contexto histórico.
Estava-se no ano 605 a.C., Jerusalém, a capital de Judá, foi cercada pelos Caldeus e os seus habitantes são deportados. Um século antes (722 a.C.), o reino irmão do Norte tinha sofrido a mesma sorte por parte dos Assírios (2ª Reis 17:4-23). O reino de Judá representa, portanto, o último Estado que subsiste do grande reino do rei Davi.
De facto, com a morte do rei Salomão, segue-se a revolta, o reino de Davi é dividido em dois. As dez tribos do Norte organizam-se sob o nome de Israel. As três do Sul (Judá, Benjamim e Levi) unem-se sob o nome de Judá.
No seguimento deste sisma, e para além das lutas fratricidas que opuseram os dois reinos, a história exterior de Israel e de Judá apresenta mais ou menos as mesmas características. Acantonadas entre as duas superpotências da época, o Egipto ao sul e Assíria e Babilónia ao norte e a este, Israel e Judá são frequentemente tentadas a aliar-se ao poder do Sul para resistir ao Norte; enfim, os dois reinos (Israel e Judá) experimentarão o mesmo destino num cenário parecido. É no entanto a aliança com o Sul que desencadeará a sua queda.
Em Israel, o rei Oséias alia-se ao Egipto para tentar libertar-se do jugo da Assíria. Segue-se uma campanha desastrosa durante a qual o território israelita é ocupado, Oséias é preso, acorrentado e lançado na prisão (2ª Reis 17:4). Samaria, a capital, resiste durante três anos, finalmente cai no ano 722. o rei da Assíria, Sargão, aplica a politica da deportação começada pelo seu avô Tiglate-Piliser III (746-727). Os israelitas são deportados para as regiões orientais da Assíria e substituídos por colonos assírios de originários de Babilónia e de outras partes, formarão os futuros samaritanos. A maioria do povo hebraico desapareceu nesta tormenta. Dez tribos sobre treze são assimiladas na massa assíria.
O reino de Judá com as suas três tribos sobrevivem durante algum tempo, mas vão conhecer a mesma sorte. Os habitantes de Judá são também exilados por se terem aliado ao Egipto.
É desta maneira que para Babilónia são arrastados numa imensa viagem Daniel e os seus companheiros, bem como milhares de outros. A viagem é feita sob grande pressão da parte dos soldados de Nabucodonosor. Muitos prisioneiros morrem pelo caminho. O percurso é também um exame onde o rei e os seus conselheiros vão observando os prisioneiros e percebendo onde estão os mais nobres, inteligentes e fortes. Não devemos esquecer que são mil e quinhentos quilómetros que serão feitos, o caminho inverso de Abraão o pai da fé. E é nesta mesma estrada que mais uma vez Deus vai suscitar os que escutam o Seu chamado e se identificam com os princípios do Céu. Há seguramente uma diferença, Abraão foi voluntariamente, Daniel e os seus companheiros são arrancados da sua terra como árvores que se arrancam com violência, atrás não ficam memórias a não ser de raízes que se quebram com terrível sofrimento.
Assim, o seu passado, a sua esperança, a sua identidade, os seus valores, tudo é agora comprometido. No exílio terão que aprender a esquecer quem eles eram. Este é o objectivo principal do opressor. Deportavam-se os habitantes para os sujeitar, os oprimir. Ocupados a adaptar-se, estrangeiros em inferioridade, perdidos na massa de outros estrangeiros que com eles são deportados, tornam-se indígenas revoltados. Por fim, acabariam por se tornar fiéis servidores da nação – como todos os outros. Eram assimilados.
Mas a prova que os magoa mais é que para além dos seus destinos particulares, o que se trata é do fim de Judá, e isto significa de facto os últimos representantes dos filhos de Jacob.
O fim que os ameaça não é só de ordem politica; esta ameaça comporta uma ameaça de dimensão espiritual e cósmica. Com a desaparição da última testemunha de Deus, na perspectiva bíblica é a sobrevivência do mundo que é ameaçada. Porque Babilónia pretende substituir Jerusalém (quem está por detrás dos bastidores?), a implicação religiosa desta usurpação é evidente. De uma forma bem significativa o texto sublinha por três vezes o facto de que Nabucodonosor transportou os utensílios do templo de Deus para o seu próprio templo em Babilónia.
“E o Senhor lhe entregou nas mãos a Jeoiaquim, rei de Judá, e uma parte dos vasos da casa de Deus; e ele os levou para a terra de Sinar, para a casa do seu deus; e os pôs na casa do tesouro do seu deus.” Daniel 1:2.
Este texto é de capital importância, direi mesmo, há nele um tom dramático e Daniel é bem consciente que algo de tremendo se passa: o rei Nabucodonosor queria não só apagar o povo de Judá da face da terra, mas também, o Deus de Judá. O pior, o povo tinha chegado a um ponto de apostasia, que Deus exerce juízo: “o Senhor lhe entregou nas mãos a Jeoiaquim, rei de Judá,” (v. 2). É o cumprimento das profecias que tinham sido pronunciadas pelos antigos profetas, mas também um apelo ao arrependimento (Isaías 39:5-7; Jeremias 20:5).
Sou dado a pensar que vivemos um tempo muito semelhante. Estás tu pronto para ser como Daniel, no caminho da deportação a estar em sintonia com Deus e perceberes os sinais?

A VITÓRIA DE BABILÓNIA

O livro de Daniel abre-se sobre um acontecimento brutal: Babilónia contra Jerusalém.
“No ano terceiro do reinado de Jeoiaquim, rei de Judá, veio Nabucodonozor, rei de Babilônia, a Jerusalém, e a sitiou.” Daniel 1:1.
Para além do conflito local que opõem dois reinos históricos, o autor visa igualemnte um conflito de uma outra dimensão, um conflito cósmico. Esta leitura do texto encontra-se sugerida pela associação clássica “Babilónia-Jerusalém” e está confirmada com a evocação: “E o Senhor lhe entregou nas mãos a Jeoiaquim, rei de Judá, e uma parte dos vasos da casa de Deus; e ele os levou para a terra de Sinar, para a casa do seu deus; e os pôs na casa do tesouro do seu deus.” Daniel 1:2. “Sinar é o antigo e mítico nome de Babilónia, um nome que é justamente ligado ao episodio da torre de Babel: E deslocando-se os homens para o oriente, acharam um vale na terra de Sinar; e ali habitaram.” Génesis 11:2.
Você já tinha reparado nesta analogia? Então pode ver que ler a Bíblia tem que ser como diz Isaías (Is. 28:10). Veja bem, acha normal isto? Responda a esta questão: Qual é a relação da Torre de Babel (Sinar) com Israel? Você ficou calado! Dá para pensar? Sim! Esta é a razão de eu ser apaixonado pelas profecias, e postar tão raramente neste blog, quando você encontrar alguma coisa aqui, não encontra em mais lado nenhum, eu sei, muita gente não gosta de ler isto, especialmente aqueles que querem religião, mas não querem saber da Verdade.
Sabia que desde os tempos mais antigos, Babilónia é representada na Bíblia como o poder do mal e por excelência o que se opõe a Deus? Sabia que este poder pretendeu e pretende os direitos e privilégios que pertencem unicamente a Deus? Lembra-se da história da torre de Babel?
O texto de Génesis 11 diz assim (vou postar do verso 1 até 9):
“1 Ora, toda a terra tinha uma só língua e um só idioma.
2 E deslocando-se os homens para o oriente, acharam um vale na terra de Sinar; e ali habitaram.
3 Disseram uns aos outros: Eia pois, façamos tijolos, e queimemo-los bem. Os tijolos lhes serviram de pedras e o betume de argamassa.
4 Disseram mais: Eia, edifiquemos para nós uma cidade e uma torre cujo cume toque no céu, e façamo-nos um nome, para que não sejamos espalhados sobre a face de toda a terra.
5 Então desceu o Senhor para ver a cidade e a torre que os filhos dos homens edificavam;
6 e disse: Eis que o povo é um e todos têm uma só língua; e isto é o que começam a fazer; agora não haverá restrição para tudo o que eles intentarem fazer.
7 Eia, desçamos, e confundamos ali a sua linguagem, para que não entenda um a língua do outro.
8 Assim o Senhor os espalhou dali sobre a face de toda a terra; e cessaram de edificar a cidade.
9 Por isso se chamou o seu nome Babel, porquanto ali confundiu o Senhor a linguagem de toda a terra, e dali o Senhor os espalhou sobre a face de toda a terra.”
Já leu? O que é que diz? Relata que no seguimento do Dilúvio, os primeiros homens, unidos por uma só língua, decidiram construir uma torre, na intenção de subir até ao céu. Deduz-se do texto, relatado com um certo humor, que Deus desce e confunde as línguas e a empresa que eles queriam realizar. Num jogo de palavras, o nome de Babel é agora explicado pela relação à raiz bll que significa “confusão” (Gén. 11:9). Assim, Babel trata-se com outro nome hebraico de Babilónia, foi conservada na memória bíblica como o símbolo do movimento terreno que tenta usurpar o pode celeste. Entendeu?
Por aqui você está a ver que este estudo vai levar-nos numa maravilhosa e longa jornada, se ama a Palavra de Deus, peça ao Espírito Santo para lhe dar força, de outro modo, vai ficar a meio da jornada!
Mais tarde, os profetas retomarão este tema, em particular, quando Babilónia se preparava e se colocava como uma ameaça para o povo de Jerusalém:
“Então tu pronunciarás este cântico sobre o rei de Babilónia, e tu dirás:
E tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono; e no monte da congregação me assentarei, nas extremidades do norte; subirei acima das alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo.” (Isaías 14:13,14; cf. Jeremias 50:17-40; Ezequiel 31).
Por detrás deste evento particular de confronto de forças entre Babilónia e as forças de Jerusalém, o profeta deixa perceber uma batalha de uma outra dimensão e de uma outra ordem. Desde o princípio o tom está dado. Todo o livro de Daniel deve ser lido segundo esta perspectiva. Aliás, a história do primeiro capítulo é relatado neste contexto.
O próximo tema será sobre a deportação. Não falte e Deus o abençoe. Amem.

O TERCEIRO MILÉNIO E O LIVRO DE DANIEL

Estudámos o livro do Apocalipse, não o fizemos de forma exaustiva, foi uma abordagem simples, creio que apesar disso que retiramos ensinamentos e inspiração para a nossa vida.
Os próximos estudos serão sobre o livro de Daniel. Creio que será um percurso espiritual de grande riqueza. É um livro que ultrapassa todos os particularismos. Porque o que une os homens para além de todas as diferenças religiosas, psicológicas, culturais e politicas, é antes de tudo a perspectiva de um destino comum que Daniel chama “o tempo do fim”, “Veio, pois, perto de onde eu estava; e vindo ele, fiquei amedrontado, e caí com o rosto em terra. Mas ele me disse: Entende, filho do homem, pois esta visão se refere ao tempo do fim.” (Daniel 8:17).
Houve um tempo em que estas palavras provocavam o riso. Hoje fazem tremer ou reflectir. Porque os dados são demasiado claros para nos deixar indiferentes ou na ignorância. Esta primeira década do 3º milénio tem trazido muitos avisos; desde as Torres Gémeas, o Iraque, Afeganistão, toda a África, América Central e Sul. O norte, o sul, o este e o oeste, mantém-se graças a Deus que tem os Seus anjos a segurar os “ventos”. É no domínio económico e político, é o desequilíbrio ecológico, são as ameaças nucleares, começamos a compreender que o fim não é uma simples ideia proclamada por um profeta utópico. O fim tornou-se tão provável que os chamados ateus, são os primeiros a fazerem previsões de quanto mais pode durar a terra.
O tempo do fim, faz parte do vocabulário dos ecologistas, dos políticos, dos filósofos e dos economistas. De homens tão diferentes como o são j. Ellul, P. Chauny, S. Pisar, A. Faure-Oppenheimer, M. West, N. Sihanouk, entre milhares de outros que são ouvidos por milhões dos mais exigentes cérebros.
É bom estudar o profeta Daniel, considerado pelos Judeus, o profeta mais sábio, e a quem Deus concedeu uma visão actual e universal. É deste modo que deixo aos meus amigos que seguem este blog as seguintes questões de reflexão:
1. Qual é a estrutura do livro de Daniel e quais são as lições?
2. Que línguas se encontram neste livro?
3. Conhece algum artista, poeta, músico ou filósofo que se tenha inspirado no livro de Daniel?
4. Em que medida é o livro de Daniel universal?
Deixo estas questões e vou-me embora, fiquem com Deus!

CARTAS ABERTAS AS 7 IGREJAS: SHABBAT

“Eu fui arrebatado em espírito no dia do Senhor, e ouvi por detrás de mim uma grande voz, como de trombeta.” (Ap. 1:10
Ora, esta visão do Deus que virá, João recebe-a justamente no “dia do Senhor” (Ap. 1:10). Os cristãos que lêem esta passagem pensam imediatamente no domingo. Mas esquecem-se que é um Judeu que fala, alguém nutrido pelas Escrituras Antigas (Hebraicas) e bem enraizado na religião dos seus pais. Além disso, a expressão “dia do Senhor” para designar o domingo não é confirmada pela história antes do IIº século; e ainda assim, ela é muito especial porque nos escritos da época não há nenhuma referencia a que o “dia do Senhor” seja o domingo.
Seria razoável pensar que o “dia do Senhor” de que fala João se aplique ao sábado, também chamado “dia do Senhor” (ou “dia de Adonai”) nas Escrituras do Antigo Testamento (o nome Adonai, “Senhor”, é a leitura tradicional do nome de Deus YHWH, geralmente traduzido por “o Eterno” – Êxodo 20:10; Lev. 23:3; Deut. 5:14).
Por outro lado, a apetência do Apocalipse pelo número 7 torna completamente óbvia esta evocação ao dia do sábado, sétimo dia, no início do livro, como introdução aos repetidos 7 que se vão seguir. Esta interpretação justifica-se ainda mais que o sábado introduzia o ciclo das festas Judaicas que de facto estruturam todo o livro, seguindo o livro de Levítico 23:3 “Seis dias se fará trabalho, mas o sétimo dia é o sábado do descanso solene, uma santa convocação; nenhum trabalho fareis; é sábado do Senhor em todas as vossas habitações.”
Segundo a tradição bíblica, o sábado é o primeiro dia da festa com Deus celebrado pelo homem e a mulher (Génesis 2:1-3); é também o único dia cuja a ordenança foi dada antes mesmo da promulgação da lei no Sinai (ver Êxodo 16:23,29), e o único dia no qual a observância não depende nem das estações, nem dos astros, nem mesmo da história humana. É pois natural que se comece esta festa que terminará com a glória do povo e de Deus com o sábado.
É também provável que João se refira ao mesmo tempo a outro “dia do Senhor”, o Yom YHWH dos profetas hebraicos, que é designado igualmente no Antigo Testamento como dia do julgamento de Deus e do fim da história humana (Sofonias 1:7ss; 2:2,3; 3:8; Malaquias 3:2; 4:1,5; Joel 1:15; 2:1,2,11). Tal como no Novo Testamento (1ª Tes. 5:2; 2ª Tes. 2:2; 1ª Cor. 1:8; 5:5; 2ª Cor. 1:14; Fil. 1:6; 2:16), assim como na literatura hebraica (II Bar 48:47; 49:2; 55:6), que é contemporânea, a expressão “dia do Senhor” aplica-se a parousia de Cristo ou à vinda do Messias. O contexto imediato da nossa passagem sustenta esta interpretação. Sem falar do facto que esta associação entre o sábado e o dia escatológico da esperança é fortemente atestado na Bíblia. Devemos ainda salientar que o sábado é compreendido muitas vezes como o sinal do grade dia de libertação e do Reino futuro (ver Hebreus capítulos 3 e 4).
Por outro lado, João teria tido a sua visão do dia do Eterno (dia do julgamento final e da vinda de Jesus). Encontramos a mesma coincidência no livro de Daniel, quando o profeta recebe a visão de uma cerimónia de Kipur no contexto, ou tempo em que o profeta se encontrava no Yom Kipur (Dia da Expiação). Portanto não seria de admirar que o mesmo método de comunicação seja utilizado nos dois textos. Até, porque um e o outro se referem à mesma visão do Sacerdote com olhos de fogo e vestes de linho.
Mas João é surpreendido no seu próprio espaço. A palavra surpreende-o de imprevisto vindo detrás. A experiencia de João assemelha-se aqui à de Maria Madalena junto ao sepulcro. Por duas vezes, ela tinha voltado para descobrir quem lhe tinha falado (João 20:14,16). Ela cria que Jesus estava morto e procurava-O no túmulo, e a voz do Ressuscitado chega-lhe de surpresa, como a João, do outro lado, por detrás dela.
Uma outra intenção do texto é a de fazer perceber esta voz como vinda do futuro; porque, no pensamento hebraico, o passado é visto da frente, enquanto que o futuro é esperado de trás, é o que vem depois (a palavra hebraica quedem significa “o que está adiante” Salmo 139:5, designa por consequência o que é mais antigo, o passado; a palavra ahar significa “detrás”, e quer dizer o que vem depois, o futuro).
Moisés, aquando da sarça ardente, tinha percebido a mesma definição de Deus do futuro: “Aquele que se chama ´Eu serei´me enviou a vós.” (Êxodo 3:14). E esta forma do futuro reencontra-se até no próprio nome YHWH (Ele será). E esta é uma mensagem poderosa, Deus é sempre o que estará presente no momento de necessidade.
Como para Maria Madalena, para Moisés e os Israelitas do Êxodo, a palavra do Altíssimo surpreende João, a voz de Jesus ressuscitado é presente, mas não deixa de ser também a voz de Deus que ressoará no futuro. Ela é a voz sempre presente e sempre futuro.
Este dia “santificado” pelo Senhor no Éden foi-o no passado, é-o no presente e será no futuro (Isaías 66:22,23).
Em que dia foi João surpreendido?
Responda com a Bíblia na mão. Amem.

CARTAS ABERTAS ÀS IGREJAS: O FILHO DO HOMEM

1 Revelação de Jesus Cristo, que Deus lhe deu para mostrar aos seus servos as coisas que brevemente devem acontecer; e, enviando-as pelo seu anjo, as notificou a seu servo João;
2 O qual testificou da palavra de Deus, e do testemunho de Jesus Cristo, de tudo quanto viu. (Apoc. 1)
A descrição do personagem confirma de facto esta identidade com dupla natureza. Jesus apresenta-se como “filho do homem” natural; é o Jesus dos Evangelhos (Mat. 8:20; 10:23; 17:9; Luc. 7:34; João 6.53, etc), incarnado e presente entre os homens e mulheres do tempo de João. Mas é também o “Filho do homem” glorioso de Daniel, com cabelos cor de lã (Dan. 7:9) e com olhos de fogo (Dan. 10:69, é Aquele que está implicado no julgamento do fim, e que vem sobre as nuvens do céu no final do tempo para inaugurar o Reino de Deus (Dan. 7:13).
É pois, ao mesmo tempo o Deus que está perto, pessoal e presente, o Jesus familiar, e o grande Deus que está longe, glorioso e futuro que fala a João. O Deus que faz tremer o profeta que se prostra. “como morto” quando O vê, mas também o Deus que conforta e que toca com a “sua mão direita, em dizendo: “Não temas; eu sou o primeiro e o último.” (Apoc. 1:17).
É esta tensão entre o futuro do Deus que vem e a proximidade do Deus presente, hoje, que se articula na esperança. Sem esta tensão, não saberíamos esperar. Sem esta segurança de alguém que está perto, mas que está para além do presente em que se morre, não teríamos razões para esperar. Sem a experiencia quotidiana e a ralação com Deus, não poderíamos desejar esperar. Estas duas categorias em conjunto são necessárias para temperar a esperança.
Se quer ficar apaixonado/a pelo Apocalipse não deixe de acompanhar estas nossas reflexões e juntos caminharemos com e para Jesus.
Fale a outros, convide os seus amigos a virem connosco. É, eu sei que escrevo no português de Portugal, mas creia que o Espírito Santo fará com que entenda e me dará também um “jeito” para escrever um português suave como o que se fala e escreve no Brasil, Angola, Moçambique e todas as terras onde se fala a língua de Camões.
Jesus o/a abençoe. Amem.