ESTRUTURA “CALENDARIO” DAS FESTAS LEVÍTICAS NO APOCALIPSE

Assim que entramos em contacto com este inspirado Livro o nosso espírito inclina-se humilde face a grandeza do Espírito que esteve sobre João o Apóstolo/Profeta.
Primeiro, ficamos no silêncio da escuta que recebe a Palavra e por ela se deixa sondar com respeito. Sente-se uma exigência ao espírito e à inteligência, no sentido de compreender o sentido da Palavra. Depois, percebemos que este Livro (o Apocalipse) foi escrito numa linguagem de amor, só o amor pode entender, há nestas nas palavras, na sintaxe, na estrutura e nas suas flutuações poéticas, um chamado a ir ao tempo e ao encontro do espaço em que o Apóstolo viveu e o que sentiu.
Mas as palavras destas profecias não se limitam unicamente, ao passado, nem ao presente, mas apontam o futuro. A razão desta bênção encontra-se na espera do grande evento que se aproxima: “porque o tempo está próximo.” (Ap. 1:3)
Esta multiplicidade de orientações para a leitura é assinalada especialmente pela estrutura, esta em forma de candelabro, é recorrente a todo o livro. Vejamos os seguintes elementos:
1- A estrutura desenvolve-se em sete ciclos simultâneos e paralelos às sete visões. É uma estrutura muito semelhante à de Daniel, descrevendo uma curva em forma de quiasma (da letra grega X, chi) seja, a segunda parte está em paralelo inverso com a primeira (ABC/C´B´A´).
2- Normalmente, há um prelúdio a cada um dos sete ciclos, a visão retorna ao contexto do TEMPLO (Templo de Deus) e dá o seu tom em nota litúrgica, seguida pelo calendário dos tempos sagrados de Israel, sobre a base dada em Levíticos 23. Cada etapa profética é deste modo colocada na perspectiva de uma das festas de Israel, cuja evocação é frequentemente tomada no interior do ciclo. João inspirado pelo Espírito Santo, convida-nos a uma leitura a partir dessas festas de Israel cujos rituais são percepcionados para esclarecer de uma maneira simbólica o sentido profundo da história.
3- Mais ainda e, tal como no livro de Daniel, o Apocalipse divide-se em duas fases (histórica/terrestre e escatológica/celeste), o centro concentra-se sobre o julgamento de Deus no fim dos tempos e sobre a vinda do Glorioso Senhor Jesus (Apocalipse 14; cf. Daniel 7). O Apocalipse apresenta-se fundamentalmente como uma visão profética que atravessa a história a partir da época de João até à vinda Gloriosa de Jesus (1ª parte), depois é apresentada a parte que vai da vinda de Jesus até ao descer da Santa Cidade de Deus (2ª parte). Mais que descodificar o Apocalipse como se fosse uma simples evocação dos acontecimentos actuais. É necessário, interpretar segunda a sua própria perspectiva, ou seja, como visão que prediz os acontecimentos da história até ao fim. Isto é importante porque é o ponto de vista do autor, mas é também a mais antiga.
Colocando as coisas deste modo podemos seguir o Livro como se fosse uma sinfonia parecida ao Bolero de Ravel. Esta interpretação não exclui a leitura linear e cronológica, as cartas, os selos, as trombetas e assim por diante. Tem antes, uma preocupação, olhar na perspectiva do Espírito Santo; na oração, na escuta de Deus e não num sentido dogmática que obrigue Deus a fazer como o “futurista” quer interpretar. O Apocalipse é passado, presente e futuro. Amem.
Assim, Deus nos abençoe e dirija no nosso homem interior em Cristo.

O ESCRITOR E O AUTOR DO APOCALIPSE. SABE QUEM SÃO?

Olá amigos, tudo bem? Leram o tema anterior (CLIQUE)? Começaremos pelo escritor João. Ele não é um personagem mítico que se tenha valido do seu prestígio para escrever o nosso Apocalipse. Foi um homem de carne e osso que viveu na história dos homens. Alguém que “viu” (Ap. 1:2), tal como nós, por isso foi testemunha de factos. Apresenta-se “vosso irmão” (Ap. 1:9), partilha da mesma condição de sofrimento que qualquer ser humano. João, do hebraico yohanan (graça de YHWH), é o mesmo que escreveu o Evangelho de João. É importante reparar nos dois livros Apocalipse e Evangelho de S. João no grande números de semelhanças a) são os dois livros do Novo Testamento que se referem ao logos (João 1:1; cf. Apocalipse 19:13). Os dois empregam as imagens (cordeiro e água da vida), a mesma forma de linguagem (“verdade”, “certo”, “vencer”, “guardar os mandamentos”, “testemunho”, etc.), a mesma forma contrastante de se exprimir (o bem absoluto e o mal absoluto), o mesmo interesse litúrgico, etc.
O Autor: O Apocalipse tem as suas raízes na palavra profética no Deus do Antigo Testamento: “da parte daquele que é, e que era, e que há de vir, e da dos sete espíritos que estão diante do seu trono.” (Ap. 1:4). Esta frase lembra a definição que o Deus do Êxodo pronunciou sobre Ele mesmo quando se revelou a Moisés: “EU SOU O QUE SOU.” (Ex. 3:14). O Deus de Israel apresenta-Se como Aquele que não se pode limitar a uma simples e qualquer definição teológica, o verdadeiro Deus, o Deus que existe de verdade “Aquele que é”. O Deus que está aqui na nossa vida. É o “PRESENTE” em todas as eras, situações e em qualquer lugar. É tão presente hoje como o era outrora. Esta é a lição contida no segundo verbo “aquele que era”. É aqui o Deus das memórias, o Deus das raízes, o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacob. Ora, João diz, que este Deus que “é” presente e que “era” também passado vai “ser” também futuro. Curiosamente, em vez de empregar o verbo ser, quando fala do Deus do futuro, João muda a forma do verbo. O verbo ser (no passado e no presente), passa para a forma verbal no futuro. Ou seja, Deus existe em Si mesmo. Ele existiu e existe com e para nós, mas na realidade Ele permaneceu no inicio da história. Mas mais do que o Deus das raízes, da tradição bíblica, da memória, mais que o Deus da existência, da esperança espiritual e da relação quotidiana, Deus é o Deus que virá.
Enfim, a pena que escreve o Apocalipse apoia-se no calor e na intimidade quando menciona “e da parte de Jesus Cristo, que é a fiel testemunha, o primogénito dos mortos e o Príncipe dos reis da terra. Àquele que nos ama, e pelo seu sangue nos libertou dos nossos pecados, e nos fez reino, sacerdotes para Deus, seu Pai, a ele seja glória e domínio pelos séculos dos séculos. Amém.” (Ap. 1:5,6). Esta é a parte que chama a nossa atenção. Este último título é o mais longo de todos. Ele comporta três atributos “a fiel testemunha”, “o primogénito dos mortos” e “o Príncipe dos reis da terra”, estes atributos manifestam-se sucessivamente através de três acções descritas no seguimento do texto “Aquele que nos ama”, “nos libertou” e “nos fez reino”.
A forma de descrever os títulos de Jesus Cristo cobre de facto as três grandes etapas da Sua operação de salvação:
1) A Sua incarnação que O tornou testemunha de Deus;
2) A Sua morte que nos salva e a Sua ressurreição que é o preço/garantia da nossa ressurreição; e enfim;
3) A Sua realeza que garante a nossa cidadania no Seu reino.
O apóstolo Paulo, no contexto da sua reflexão sobre a ressurreição, descreve o mesmo itinerário em três etapas, articuladas sobre o mesmo tema:
a) “Mas na realidade Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, sendo ele as primícias dos que dormem (...) b) Então virá o fim quando ele entregar o reino a Deus o Pai, (...) c) Pois é necessário que ele reine até que haja posto todos os inimigos debaixo de seus pés.” (1ª Cor. 15:20-25).
O mesmo desenvolvimento é apresentado pelo apóstolo Pedro no discurso no dia de Pencostes (Act. 2:22-25; cf. Actos 7:56).
É pois o plano da salvação tal como era compreendido pelos primeiros cristãos que o Apocalipse apresenta o prelúdio da profecia. O Deus que virá não é outro senão Jesus Cristo. Esta pausa sobre a Sua pessoa impunha-se. A profecia não se relaciona unicamente com a boa nova da nossa libertação e da felicidade eterna. Não se trata unicamente do evento esperado, é também e sobretudo uma Pessoa bem definida, que se ama, que se conhece, e que nos conhece e nos ama; e isto torna a espera muito mais segura e mais intensa.
A primeira profecia do livro do Apocalipse concerne justamente a Sua vinda. Jesus é visto da mesma maneira que Daniel tinha visto o Filho do homem “nas nuvens” (Apoc. 1:7; cf. Dan. 7:13).
Você quer ver o Autor deste livro voltar em glória e majestade? Quer ver Jesus como seu Senhor? Então, conheça-O e ame-O. Bênçãos sejam derramadas do Céu sobre si. Amem!

A RELAÇÃO ENTRE O APOCALIPSE E DANIEL

Olá companheiros, tudo bem? Vou com a graça de Deus iniciar mais um tema sobre o Apocalipse. Certamente notaram que comecei pelos últimos capítulos do nosso livro e estou agora a fazer uma viragem, ou seja, a fazer o percurso contrário.
Espírito do Senhor guia-nos a encontrar a palavra e o pensamento certo, seja a Tua sabedoria a conduzir-nos neste estudo por Jesus. Amem!
Ao entrar neste livro temos a sensação de entrar por uma porta numa casa que nos suscita a curiosidade e desafia a nossa inteligência. A primeira palavra, “apocalipse”, soa como uma advertência “o que parece estar no escuro, na verdade está na luz”. E este é o sentido da palavra “apocalipse” que vem de uma palavra grega apocalupto (revelar os segredos). Este verbo é uma das palavras chave do livro de Daniel, onde aparece com um sentido de revelação profética. Este eco do livro de Daniel ressoa no livro de Apocalipse com tanta força que para se entrar na “casa” do Apocalipse precisamos da chave fornecida por Daniel.
Se estivermos atentos verificamos que o Apocalipse começa com uma bem-aventurança que parece transportada da conclusão do livro de Daniel: “Bem-aventurado (feliz) aquele que lê e bem-aventurados (felizes) os que ouvem as palavras desta profecia e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo.” (Ap. 1:3).
Tal como no livro de Daniel o “feliz aquele que” é o que está identificado com o evento da esperança: “Bem-aventurado é o que espera e chega aos mil trezentos e trinta e cinco dias. Tu, porém, vai-te, até que chegue o fim; pois descansarás, e estarás no teu quinhão ao fim dos dias.” (Dan. 12:12,13).
Se tivermos em atenção o texto do Apocalipse 1:3, situa-se claramente na linha e no prolongamento directo da profecia de Daniel e esta bem-aventurança é a primeira prova evidente. O livro de Daniel é de facto o livro do Antigo Testamento mais citado no Apocalipse. Ele ressoa as mesmas palavras. Aí encontramos as mesmas visões, os mesmos temas e as mesmas lições tipológicas caminham no mesmo itinerário, os dados cronológicos são expressos frequentemente na mesma linguagem, a mesma perspectiva profética que cobre o período dos tempos, as mesmas lições éticas, e enfim a mesma estrutura em quiasmo.
É fundamental ter em mente estas relações entre os dois livros sagrados para conduzidos pelo Espírito Santo poder ler e compreender estes preciosos livros por Deus inspirados. Tanto mais que o “bem-aventurado” é aquele que “lê”, “ouve” e “guarda”. Isso é significativo na bem-aventurança que introduz o Apocalipse, tal como a bem-aventurança a concluir o livro de Daniel. Um e outro inspiram a ter esperança enquanto se espera a vinda de Jesus.
A descoberta da bem-aventurança “felicidade” implica uma revelação, “um segredo revelado”, um Apocalipse. É nesta descoberta que é necessário começar. Sem esta fé, não é possível continuar e o livro será reduzido a uma amálgama de sons inúteis. A natureza da leitura do Apocalipse tem um carácter essencialmente religioso. Repare estimado leitor, que só o “ler” se conjuga no singular (no original) “aquele que lê”; enquanto que o dois verbos seguintes estão no plural: “aqueles que ouvem”, “aqueles que guardam”. A leitura não é exclusivamente privada; ela deve ser fundamentalmente lida por um e ouvida por vários (não têm razão aqueles que defendem não ter necessidade de pertencer a uma comunidade cristã), Jesus seguia a pratica litúrgica da sinagoga (Lucas 4:16-28).
O Apocalipse não fala unicamente aos místicos e aos sentimentais da religião. Aliás, o seu propósito é “derrubar” os muros mentais e do preconceito, tornar-se em palavra profética, de estudo e interrogação da parte daquele que a recebe. Por detrás da palavra “ouvir” há o conceito hebraico de esforço e responsabilidade da inteligência. Ao mesmo tempo, o dever de passar à acção e viver o que foi compreendido. O Shema Israel (Ouve, ó Israel), não se compreende como sendo uma doce melodia que embala e desperta emoções agradáveis:
“4 Ouve, ó Israel; o Senhor nosso Deus é o único Senhor.
5 Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todas as tuas forças.
6 E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração;
7 e as ensinarás a teus filhos, e delas falarás sentado em tua casa e andando pelo caminho, ao deitar-te e ao levantar-te.
8 Também as atarás por sinal na tua mão e te serão por frontais entre os teus olhos;
9 e as escreverás nos umbrais de tua casa, e nas tuas portas.” (Deut. 6:4-9).
Em hebraico, a palavra “ouvir” (escutar, compreender) significa também “guardar” e “obedecer”.
É precisamente o que diz o verso (Ap. 1:3) “e guardam as coisas que nela estão escritas”. No horizonte da escuta e da leitura que ressoa aos ouvidos, e da exigência à inteligência, o que se espera é uma vida sob o controle de Deus. Porque o que determina a escolha e a orientação, não é a opinião ou a verdade subjectiva, mas são “as coisas que nela estão escritas” (Ap. 1:3).
O Apocalipse define-se deste modo como portador de uma verdade absoluta, uma verdade que existe e chama a nossa atenção (avisa) contra as interpretações pessoais ou fantasiosas.
Este foi o nosso estudo para hoje, rogamos que o Senhor tenha estado ao leme desta apresentação e continue a inspirar e a mover os nossos corações para uma escuta séria e consequente. Deus nos abençoe em Cristo. Amem!

SÓ 144 000? A SÉRIO?

“E ouvi o número dos que foram assinalados com o selo, cento e quarenta e quatro mil de todas as tribos dos filhos de Israel.” Apocalipse 7:4
“E olhei, e eis o Cordeiro em pé sobre o Monte Sião, e com ele cento e quarenta e quatro mil, que traziam na fronte escrito o nome dele e o nome de seu Pai.” Apocalipse 14:1

OS 144 000.
É um tema favorito de “conversa de salão” – particularmente nas tardes de Sábado – entre os adventistas, mas não é, de forma alguma, uma brincadeira.
Centra-se num número místico que estimula a imaginação, mas não é um número a ser tomado de ânimo leve.
Esse número emerge de um estudo aprofundado das Escrituras, mas a conversa inclui, inevitavelmente, o pensamento e os comentários da mensageira profética adventista, Ellen White.
Ler de relance os escritos de Ellen White sobre este assunto pode desanimar qualquer tentativa de compreender o que o número 144 000 significa realmente para os crentes. Em 1901, ela escreveu: “Não é a Sua (de Deus) vontade que eles entrem em controvérsia sobre questões que não ajudarão espiritualmente, tais como ´Quem fará parte dos 144 000?´. Isso, os eleitos por Deus saberão, inquestionavelmente, dentro de pouco tempo.” (1)
A palavra “cotrovérsia” dá-nos uma ideia daquilo que ela estava a combater.
Para compreendermos o significado e a importância dos 144 000, é melhor que ponderemos cuidadosamente sobre a teia de palavras em que o assunto é focado.
Normalmente, chamamos a isso contexto. Afinal, o significado é inseparável das relações ou dos relacionamentos.
O número 144 000 aparece apenas duas vezes nas Escrituras – ambas no livro de Apocalipse, e em contextos importantes. Encontramo-lo primeiro entre o sexto e o sétimo selos, antes da Segunda Vinda vista como o dia da ira, o dia da destruição daqueles que se opõem a Deus (Ap. 7:4). A segunda vez, em Apocalipse 14, é antes da mensagem dos três anjos e da segunda vinda de Cristo.
Consequentemente, faz sentido supor que o número designa uma entidade do tempo do fim – o povo de Deus durante a última fase da história deste mudo.
A questão é: Serão os 144 000 um subgrupo especial do povo de Deus, ou será este número uma representação simbólica de todo o povo de Deus? Subjacentes a estas questões estão os conceitos do acesso ao selamento e à salvação, após ter sido atingido o número 144 000, e a questão mais profunda da arbitrariedade dos decretos de Deus ou mesmo a natureza moral do Seu carácter.
Os intérpretes que consideram o número literal – especialmente no mundo Evangélico – normalmente afirmam que o mesmo se refere a judeus que aceitam o evangelho e que contribuirão para a partilha do mesmo com outros judeus. Sugerem que o ritmo agrícola dos primeiros frutos – bem conhecido do antigo Israel – apoia esta maneira de ver.
Contudo, há várias indicações de que é um número simbólico, que não deve ser interpretado literalmente. A própria natureza do número sugere o seu simbolismo:
144 000 é 12 x 12 x 1000. Mas, para compreender o seu significado, temos de explorar a rede de palavras, temas e motivos associados ao seu contexto.
1- Os 144 000 são associados com a ideia de estar em pé.
A primeira ocorrência do número 144 000 é uma resposta a uma das quatro questões encontradas na série de selos. Pessoas aterrorizadas gritam às montanhas e às rochas: “Caí sobre nós, e escondei-nos do rosto daquele que está assentado sobre o trono, e da ira do Cordeiro; porque é vindo o grande dia da sua ira; e quem poderá subsistir?” (Ap. 6.16,17).
Mas há mais questões a responder. Primeiro, quem é digno? (Ap. 5:2); até quando? (Ap. 6:10); e, finalmente, quem são eles e donde vêm? (Ap. 7:13).
Os 144 000 podem ficar em pé porque adoram o Cordeiro. Para além dos anjos que estão em pé no livro de Apocalipse, os seres humanos são capazes de estar em pé porque o Cordeiro está em pé. Apocalipse 5 diz-nos que o Cordeiro foi morto, mas está em pé. Isso refere-se à morte e à ressurreição de Cristo em linguagem apocalíptica. O conceito de vitória está no centro de toda a mensagem do capítulo cinco. Sem a vitória do Cordeiro, não existe outra vitória.
Não é por acaso que Apocalipse 14, quando se refere aos 144 000, os descreve como estando em pé com o Cordeiro no Monte de Sião e que seguem o Cordeiro por onde que vá (Apoc. 14:1-5). Dentro do contexto dos primeiros sete capítulos, aqueles que estão em pé são os que saíram vencedores das diversas situações descritas nas cartas enviadas às sete igrejas. O Espírito convidava os crentes a converterem-se a manterem-se na fé e em fidelidade para com o Senhor Jesus Cristo. Portanto, para podermos continuara estar em pé, temos de ouvir o que o Espírito diz às igrejas.
2- Os 144 000 estão poupados e selados.
No Velho Testamento, os fiéis que foram poupados no julgamento, especificamente da vinda do dia de Yahweh, são descritos de várias maneiras. Um cenário importante é relatado em Ezequiel 9, onde refere os selados e poupados como sendo os que suspiram e gemem por causa das abominações que estão a ser cometidas no meio de Jerusalém. Em Ezequiel 14:12-23, o remanescente justo de Israel é salvo da condenação. A sua atitude, que está longe de ser de justiça própria, é importante. O que sabemos sobre este remanescente justo é que tem uma atitude de profunda contrição por causa da apostasia existente entre o povo de Deus.
Ser selado ou marcado pode referir-se a várias ideias, tais como posse, mas o que se encaixa mais naturalmente no contexto de Apocalipse 7 é a protecção da ira de Deus e do Cordeiro. Falando sobre a dedicação dos 144 000 a Deus, Ellen White escreveu: “Aqueles que têm, na sua testa, o selo do Deus infinito considerarão o mundo e os seus atractivos como estando subordinados aos interesses eternos.” (2)
3- Os 144 000 são chamados servos.
Em Apocalipse 7, os 144 000 são chamados servos. No livro de Apocalipse, a palavra “servo” tem uma conotação de adoração. O seu serviço para Deus não se relaciona com realidades sócio-económicas, mas antes realça uma realidade religiosa ou de culto.
A conotação de adoração deste termo leva-nos de volta ao principal objectivo de Deus conforme é revelado nesse livro: fazer de homens e mulheres de todas as tribos, e línguas e nações, sacerdotes que possam entrar no templo escatológico e adorar, eternamente, Deus, o Criador e Redentor. Subentende-se que estes servos vivem exclusivamente para Deus e para o Seu reino.
Informações mais detalhadas sobre as funções do grupo do tempo do fim podem ser encontradas em Apocalipse 14. O nome do Cordeiro e do Pai está escrito na testa dos membros desse grupo. A ideia da pertença está representada pela escrita dos nomes. Estas pessoas foram redimidas e têm as
Qualificações para aprender um cântico de redenção. Podemos legitimamente deduzir, do contexto de Apocalipse 12-15, que os 144 000 saíram vitoriosos sobre a besta, a sua imagem e a sua marca. (3)
A sua lealdade e dedicação a Deus são representadas por várias imagens. Estes crentes são virgens – incorruptos. Estas imagens simbólicas são uma forma de expressar que o povo de Deus dos últimos dias é dedicado de alma e coração a Deus, tal como uma noiva ao seu noivo. Por outras palavras, são cônjuges fiéis, seguindo o Cordeiro por ode quer que vá.
Uma imagem agrícola também é usada para representar o seu valor para Deus como sendo os primeiros frutos. Mais ainda, uma reflexão sobre a rede contextual daqueles que estão do lado de Deus mostra a sua adesão aos valores designados como mandamentos de Deus e ao testemunho e fé de Jesus.
Concluindo: O que quer tudo isso dizer?
O número 144 000 é um número simbólico que se refere à totalidade do povo de Deus que passará pelas grandes tribulações e decepções do tempo do fim. Ele será vitorioso sobre os desafios do tempo do fim, orquestrados pela trindade satânica descrita em Apocalipse 12 e 13 – o dragão, que imita Deus Pai, o anticristo, e o falso Espírito Santo.
Ellen White, longe de nos desencorajar de qualquer tentativa de compreender as características e funções dos 144 000, fez a seguinte advertência: “Aqueles que o Cordeiro guiará pelas fontes de água viva, e de cujos olhos limpará todas as lágrimas, serão os que estão agora a receber o conhecimento e a compreensão revelada na Bíblia, a Palavra de Deus. (4)
Além disso, ela afirma: “Não devemos imitar nenhum ser humano. Nenhum ser humano é suficientemente sábio para ser nosso exemplo. Devemos olhar para o homem Jesus Cristo, que é completo em perfeição de justiça e santidade. Ele é o autor e consumador da nossa fé. É o homem padrão. A Sua experiência é a medida da experiência que devemos obter. O Seu carácter é o nosso modelo. Tiremos, então, a nossa mente das perplexidades e dificuldades desta vida, e fixemo-la n´Ele, para que ao contemplar possamos ser mudados à Sua semelhança. Podemos olhar para Cristo com confiança. Podemos olhar para Ele com segurança; pois Ele é omnisciente. À medida que olhamos para ele e pensamos n´Ele, Ele será formado dentro de nós, a esperança de glória.” (5)
Mas a última exortação no contexto é a que tem maior significado: “Tentemos, com todo o poder que Deus nos deu, estar entre os cento e quarenta e quatro mil.” (6)
Em essência, a adesão às Escrituras como guia infalível num mundo de ideologias, filosofias e religiões em competição; e emulação de Cristo; e a determinação de Lhe sermos leais seja qual for o custo, são as marcas distintivas do povo de Deus dos últimos dias. Estão selados para uma vida eterna de adoração e companheirismo com o Deus de amor – Pai, Filho e Espírito Santo.
Os 144 000 têm uma ligação orgânica com o remanescente do capítulo 12. a sua devoção a Cristo é reminiscente do facto de que têm as características do remanescente na guarda dos mandamentos de Deus e da fé de Jesus Cristo (Ap. 12:17). Eles adoram Cristo total e completamente. Apocalipse 12:11 diz que eles venceram o dragão “pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do seu testemunho”. Qualquer crente do tempo do fim pode fazer parte deste número.
O mesmo Deus que quer que todos os povos saibam da verdade e sejam salvos (1ª Tim. 2:3,4) não está a limitar, caprichosamente, o número de remidos. O selamento e a salvação no tempo do fim estão abertos para todos.
Referências:
(1) Ellen White, Mensagens Escolhidas, vol. 1, p. 174
(2) Ellen White, The Advent Review and Sabbath Herald, 13 de Julho, 1897.
(3) Ellen White, O Grande Conflito, pp. 539, 540.
(4) Ellen White, The Advent Review and Sabbath Herald, 9 de Março, 1905, conforme citado no The SDA Bible Commentary, vol. 7, p. 970.
(5) Ibid.
(6) Ibid.

OS LOUCOS DO APOCALIPSE

“Je n´ai jamais connu une personne qui ait entrepris l´étude des prophéties et qui ait écrit là-dessus qui ne soit devenue folle. »
William Ramsey
« C´est le signe d´un bon équilibre mental que de ne s´être jamais occupé de l´Apocalypse. »
Johann G. von Herder
« Ou bien l´Apocalypse trouve un homme fou, ou bien elle le quitte fou. »
Anonyme




É uma legião de loucos que rodeia o Apocalipse. E nunca foram tão numerosos como nestes últimos anos. Depois da Segunda Guerra Mundial, no amanhecer do Holocausto de Hiroshima, e mais recentemente seguindo os cuidados ecológicos, da epidemia da Sida e da explosão demográfica, o Apocalipse tornou-se uma referência dramática. Não só nos meios das ciências religiosas, mas também na literatura, no cinema, musica e a pintura têm sido os transmissores de exprimir esta febre que exprime a angústia nervosa dos nossos contemporâneos.
E quanto mais avançamos nesta década do século 21, mais o movimento se intensifica. Desde os anos 80, se têm verificado “uma verdadeira explosão do tema apocalíptico” (J.-P.PREVOST, Pour lire l´Apocalypse, 1991, p.7; cf. B. McGINN, Apocalyptic Spiritality, Londres, 1980, p. 141; cf. T.K.FREIMAN, Postscripts, p.157: “À medida que o mundo se aproxima do terceiro milénio e a partir dos anos 80, a referencia ao fim torna-se mais e mais intensa.”). Não se trata simplesmente de um “tema” abstracto dado simplesmente para nos entreter ou no melhor dos casos para nossa inspiração. À boca de cena, mais e mais os loucos tornam-se actores do Apocalipse.
Ainda está na nossa consciência David Koresh, nos Estados Unidos. Na base de uma intensa referencia ao Apocalipse, ele citava capítulos inteiros de memória. Vernon Howell, aliás, David Koresh, apresentava-se como messias-Deus, e arrogava o direito de ter relações sexuais com todas as mulheres do seu grupo (casadas ou não, jovens ou menos jovens). Ele armazenou um enorme arsenal de armas e transformou a sua casa numa verdadeira fortaleza. Ele esperava o fim do mundo e desafiou as forças armadas dos Estados Unidos durante um cerco de cinquenta dias. Os seus propósitos incoerentes e os seus actos imprevisíveis tornaram as negociações difíceis. Terminou, dia 19 de Abril de 1993, arrastando mais de uma centena de pessoas, entre elas crianças, para uma morte horrível que chocou todo o mundo.
Uma tragédia parecida aconteceu algum tempo depois no Japão. Desta vez, o messias Shoko Asahara apresentava-se como um guru cabeludo inspirado nas religiões budistas e hindus. A seita, que tinha começado de forma inocente a partir de escolas de yoga, afirma-se na realidade no tipo apocalíptico. Esta seita esperava o fim do mundo e previa o Apocalipse para 1997. No seu livro intitulado “O Desastre Aproxima-se do País do Sol Nascente” (1995), Asahara anunciava a vinda do Armagedom sob a forma de um gás proveniente dos Estados Unidos, enviado por Judeus e franco-maçons. Tal como David Koresh, o guru dominava os seus discípulos e incitava-os a cometer actos criminosos de toda a espécie. O ataque ao metro de Tóquio, a 20 de Março de 1995, tem a sua assinatura. Um gás mortal, o sarin, produzido por nazis com o objectivo de exterminar pessoas de forma massiva, foi utilizado em cinco lugares diferentes a horas de ponta. O balanço elevou-se a vários milhares de pessoas intoxicadas e uma dezena de mortos. A polícia japonesa relatou ter descoberto nos aposentos da seita material suficiente para destruir 4 a 5 milhões de pessoas.
Na Suíça, arredores de Fribourg e também em Valais, a 27 de Outubro de 1994, os habitantes de Cheiry e de Granges-sur-Salvan viveram a mesma angústia. O fogo onde morreram mais de cinquenta pessoas, entre as quais várias crianças, testemunha da loucura de uma outra seita chamada “Templo Solar” cujo messias, Luc Jouret, médico homeopata, pregava, ele também, sobre o Apocalipse e não cessava de repetir que tinha chegado a hora do Apocalipse.
Na propriedade foram descobertos vários cadáveres vestidos de vestes de culto brancas, vermelhas e negras; dispostos em círculo, eles estavam amarrados e tinham recebido uma bala na cabeça. Nunca se chegou a saber se se tratou de um suicídio colectivo ou de um outro tipo de crime. Também aqui, a polícia que investigou descobriu um importante arsenal de armas que a seita tinha adquirido para a batalha final. No ano seguinte, a 23 de Dezembro de 1995, aconteceu o mesmo cenário de horror atingiu a França. Nos arredores de Grenoble, perto da aldeia de Pierre-de-Chérennes, quinze pessoas da mesma seita do “Templo do Sol”, entre as quais várias crianças, foram encontradas abatidas a revólver em igual dramática circunstância.
Estes três exemplos, entre outros (Lembramo-nos dos acontecimentos na Guyane em Novembro de 1978, onde mais de novecentas pessoas se suicidaram por envenenamento sob a ordem do seu guru, Jim Jones), são incontestavelmente o sintoma da nossa civilização. A análise do fenómeno revela um certo número de circunstâncias:
1- Presença de um profeta-messias-Deus do tipo carismático, que pretende deter a palavra da verdade e move um grupo de pessoas a vê-lo como mestre. Estas fazem tudo para lhe agradar.
2- Rejeição do sistema estabelecido e suspeição sobre todos os que não se conformam com as regras e as ideias do grupo. Esta raiva do tipo xenófoba manifesta-se frequentemente por uma vida comunitária fechada a toda a influência do exterior, esta é julgada maléfica. O grupo pratica actos criminosos às ordens do mestre, considerados actos de “justiça”.
3- Fixação sobre a mensagem apocalíptica em detrimento do amor ao próximo, da razão e da ética.
4- Obsessão em ver cumprir-se o Apocalipse já e aqui, o que conduz frequentemente estas “seitas do Apocalipse” (expressão usada pelo o sociólogo americano J.R.Hall, livro “The Apocalypse at Jonestown”) a tornarem-se os actores da profecia e a produzirem acontecimentos do Apocalipse.
Este carácter pode concentrar-se num só indivíduo, que vive concentrado sobre ele próprio, ele é simultaneamente profeta e seita. Nota-se também que o fenómeno aparece em todas as tendências religiosas. Não só entre os cristãos, mas também, entre os judeus, muçulmanos, nas religiões orientais e na Nova Era.
Apesar de algum paralelismo com certos movimentos isolados na história passada do cristianismo (os Taboristas da Boémia no século XV, ou os “exaltados” de Muntzer no século XVI), este fenómeno é novo pelo seu carácter patológico e violento. A nossa civilização está atingida pelo sindroma Apocalipse.
A Igreja que tem uma mensagem a proclamar (Mateus 24:14) no contexto do Apocalipse, deve, como pessoas e como igreja a ser dirigida pelo Espírito Santo. Todos os fiéis anseiam que “as primeiras coisas passem”. Estou a escrever no contexto da Tragédia do Haiti, o meu coração dói, mas meu dever, meu chamado é a proclamar o amor, a paz que o Homem de Nazaré veio trazer, salvação e esperança. Sou chamado a ser muito zeloso no amor, a buscar os perdidos e a falar de Cristo como o “Príncipe da Paz”.
Amigos e amigas que acompanham este blogue quero dar-vos uma palavra de amor e de amizade em Jesus. Sei, uma ou outra vez ficam estupefactos com uma ou outra afirmação, desejo que percebam que estou falando num contexto de análise bíblica e nunca, Deus me livre, num sentido proselitista, menos ainda catastrofista, tudo será dirigido pelo Senhor que tudo fez bem e tudo fará muito bem, amem!